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Tudo que você tem não é seu
Tudo que você guardar
Não lhe pertence nem nunca lhe pertencerá
Tudo que você tem não é seu
Tudo que você guardar
Pertence ao tempo que tudo transformará
Só é seu aquilo que você dá …

"Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico serve, principalmente, para que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro, certificar-se de sua liberdade. E da superioridade de sua espécie. Pode então voltar para o apartamento financiado em 15 anos satisfeito com a vida. Abrir as grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à TV. Acorda na segunda-feira feliz para o batente. Feliz por ser homem. E por ser livre."
(Eliane Brum, texto: O Cativeiro)

ELIMINANDO O QUE NÃO SERVE MAIS
O arcano XVI emerge como arcano conselheiro para este momento de sua vida, Vanessa, sugerindo que é chegado um importante momento em sua existência: o tempo para romper com tudo aquilo que não lhe serve mais e que você preservava apenas por manutenção de fachadas. Estas coisas que precisam ser eliminadas podem ser (e geralmente são) internas e têm a ver com hábitos, modelos mentais e expectativas falsas. Mas podem ser também relacionamentos falidos, projetos que não dão em nada, ou seja, qualquer coisa que não faz mais nenhum sentido em sua vida e que você talvez não tenha ainda a coragem de eliminar. Todavia, é preciso agir, caso contrário a negatividade se tornará pior. Enfrente com coragem este momento de varredura radical!

"Não consigo deixar de pensar nos tempos em quartos solitários, quando as únicas pessoas que batiam à minha porta eram as senhorias cobrando o aluguel atrasado ou o FBI. Vivia com ratos e camundongos e vinho, meu sangue escorria pelas paredes em um mundo que não conseguia compreender e ainda não compreendo. Em vez de levar a vida que eles levavam, eu passava fome. Fugia para dentro de minha própria mente e me escondia. Fechava todas as cortinas e ficava olhando para o teto. Quando saía, era para ir a um bar onde eu mendigava por bebida, andava a esmo, apanhava nos becos de homens bem alimentados e confiantes, de homens idiotas e com vidas confortáveis. Bem, ganhei algumas lutas, mas só porque era louco. Fiquei anos sem mulher, vivia de manteiga de amendoim e pão amanhecido e batatas cozidas. Eu era o idiota, o estúpido, o louco. Queria escrever, mas a máquina de escrever estava sempre penhorada. Então eu desistia e bebia…"

no livro Ao sul de lugar nenhum
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"Não consigo deixar de pensar nos tempos em quartos solitários, quando as únicas pessoas que batiam à minha porta eram as senhorias cobrando o aluguel atrasado ou o FBI. Vivia com ratos e camundongos e vinho, meu sangue escorria pelas paredes em um mundo que não conseguia compreender e ainda não compreendo. Em vez de levar a vida que eles levavam, eu passava fome. Fugia para dentro de minha própria mente e me escondia. Fechava todas as cortinas e ficava olhando para o teto. Quando saía, era para ir a um bar onde eu mendigava por bebida, andava a esmo, apanhava nos becos de homens bem alimentados e confiantes, de homens idiotas e com vidas confortáveis. Bem, ganhei algumas lutas, mas só porque era louco. Fiquei anos sem mulher, vivia de manteiga de amendoim e pão amanhecido e batatas cozidas. Eu era o idiota, o estúpido, o louco. Queria escrever, mas a máquina de escrever estava sempre penhorada. Então eu desistia e bebia…"

no livro Ao sul de lugar nenhum

“O rádio toca canções de amor enquanto o telefone permanece mudo e as paredes seguem paradas e estáticas, e a cerveja é tudo o que há.”
— Bukowski, Cerveja em O amor é um cão dos diabos.

NÃO VÁ AO AMAZONAS !

Dizem que conselho se fosse bom se vendia, mas ao longo da vida vamos juntando bagagens que queremos compartilhar. Em função de muito que se tem falado sobre a Copa do Mundo e sobre turistas resolvi dar minha opinião. Logo, se eu puder lhe dar um conselho, diria: não vá ao Amazonas. Não conheça Manaus. Tem muita coisa errada lá.

A começar pelo povo. São pessoas que foram (e são) hostilizadas, sofreram preconceitos por terem nascido na região Norte e ainda tratam a todos bem. Estranhamente, o amazonense lhe faz sentir em casa. E olha que a casa deles é quente, mas o povo consegue ser mais caloroso. Amazonense é acolhedor sim. Não importa se acabaram de se conhecer, são tão esquisitos que não demora muito a oferecerem um churrasco (de peixe) com cerveja a você. E quando você sai da casa deles fica com a impressão de os conhecer há muito tempo.

Por falar em comida, não coma nada em Manaus. Principalmente se for peixe. Corra de pirarucu, fuja de tambaqui, vire o rosto para matrinchã, não prove jaraqui ou bodó. Você poderá estar fadado a nunca mais comer peixes da mesma forma. Um tambaqui assado simples já é um manjar à parte, quando misturado com as iguarias da terra, derrubam o mais forte caboclo imagine com os imigrantes de estômago estragado. As frutas também são atrações especiais. Se você brincava de atirar mamona quando criança, ficará surpreso em conhecer o rambutã, uma espécie de mamona vermelha que tem um gosto único. E sim, chocolate melhora a vida de todos, e um creme de cupuaçu pode melhorar um chocolate. Poderia falar por páginas aqui da gastronomia e dos temperos, mas ainda há mais coisas para se precaver.

Por prevenção, se você mora numa outra capital, cuidado com Manaus. Ela costuma não ser violenta. Sim, é possível sair à noite e voltar para casa sem ser assaltado e o pior, sem necessitar ser neurótico. Há violência é lógico, mas localizada e pontual, com um pouco de atenção você também pode passar anos incólume.
No quesito noite, Manaus é realmente uma terra de muitas tribos. Você encontrará rock (do leve ao death metal), blues, jazz, samba de raiz, música clássica, forró, brega, sertanejo universitário. A diversidade é tanta que é possível sair todos os dias da semana. Todos. Aliás, festival cultural não falta, porque além das musicas há festivais de dança e de teatro. E mesmo não sendo tão valorizadas, como em tantos outros cantos deste país, as trupes fazem muitas apresentações.

Sobre selva, fica a dica para os forasteiros: Manaus tem quase dois milhões de habitantes. A cidade é imensa. Não se veem muitos animais na rua, além dos que são vistos em outras cidades. Próximo a algumas zonas de proteção ou parques sim, mas nada muito além de uma preguiça ou pássaros (quem estuda na Federal do Amazonas costuma se deparar com preguiças atravessando a rua, isso porque a UFAM fica numa das maiores áreas de floresta preservada dentro de uma cidade). Para ver floresta e vida nativa é necessário sair um pouco da cidade e aí eu lhe digo: vale cada centavo. As cidades e passeios próximos são fora do comum. Começa pela beleza das paisagens e suntuosidade dos rios. Cachoeiras fantásticas, como na cidade de Presidente Figueiredo, e animais lindos, como os botos de Novo Airão. Há muita beleza natural nessas terras.

Já as coisas do homem da terra não merecem muita atenção. A cultura rica em lendas e mitos, rica não meu amigo MUITO rica, carrega um pouco do universo indígena com pitadas dos imigrantes. Para tudo há uma explicação mítica. E se só a beleza das histórias já encantam, quando o caboclo pega a musica e as transforma em toadas que merecem o respeito de serem ouvidas de olhos fechados. Como diria um amigo meu citando uma música de boi bumbá, há muito mais no “verde que desbota na distância que existe entre a mata e o homem” que imaginamos.
Por falar em Bumbás, há vida além de Garantido e Caprichoso. Os bois de rua de Manaus são muito populares na cidade, além de outras danças típicas como as cirandas da cidade vizinha Manacapuru. Mas a movimentação dada pelos bois de Parintins transcende o gostar de folclore e se rivaliza dos enfrentamentos não só nas arenas até nas rodas de bares e encontros amigos, onde conversas acaloradas sempre recordam momentos e festivais. Se quiser ofender um grupo de amazonenses, coloque toadas de um só boi. Sempre há um contrário para todos os contrários.

Como disse antes, não vá a Manaus. A cidade carece de infraestrutura, tem problemas na política e educação, como toda cidade brasileira hoje apresenta. Mas o Amazonas é de bravos que se doam, sem orgulho e sem falsa nobreza, lendas para sonhar, vida e riqueza nas lutas que travei. Não é apenas um hino, mas a imagem sincera de um povo que não tem pudores em ceder um pouco de si. Se contrariar meu conselho e for conferir de perto, insisto para que não venha com a cabeça aberta. Cerque-se de preconceitos e comparações com outros lugares em tudo o que vir e sentir, porque do contrário, com coração aberto amigo eu lhe garanto: você poderá se apaixonar assim como eu me apaixonei.

Ps: Créditos para o nosso querido mestre/jornalista/autor @Jimi Aislan que partiu da terrinha levando a saudade e como retribuição deixou esse texto perfeito!

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